Volta à página inicial

18 anos
13.219.467
visitantes únicos, veja...

RSS (Really Simple Syndication) RSS (Really Simple Syndication) Golfinho - o portal da PNL no Brasil
www.pnlbrasil.com.br    www.golfinho.com.br    www.pnl-golfinho.com.br

O que é PNL
Definição, livros e artigos para iniciantes

    Inicial
    Artigos PNL
    Livros PNL
    Cursos PNL
    Centros de PNL
    Profissionais
    Diversos
    Livros do Mês
    Filmes e PNL
    Exercícios
    * Divulgar
    Links
    PNL Escola
    Golfinho
    Impresso
    Golfinhos
    Dicas
    Biografias
    Download
    Congressos
    CDs e DVDs
    Contatos
    Cadastre-se
    Tradução PNL
    Glossário PNL
    Novidades
    Entrevistas
      e Teses

    Pesquisar
Artigo PNL: Modelagem

Modelagem

Robert Dilts

O dicionário Webster define modelo como "uma descrição simplificada de uma entidade ou processo complexo" – como o "modelo de computador" dos sistemas circulatório e respiratório. O termo tem sua raiz no latim modus, que significa "uma maneira de fazer ou de ser; um método, forma, moda, hábito, maneira ou estilo." Mais especificamente, a palavra "modelo" é derivada do latim modulus, que significa essencialmente uma versão "menor" do original. O "modelo" de um objeto, por exemplo, é tipicamente a versão em miniatura ou a representação deste objeto. Um "modelo de trabalho" (como o de uma máquina) é algo que pode fazer, numa escala menor, o trabalho que a própria máquina faz, ou se supõe que faça.

A noção de um "modelo" também passou a significar "uma descrição ou analogia usada para ajudar a visualizar algo (como um átomo) que não pode ser observado diretamente." Também pode ser usado para indicar "um sistema de postulados, dados e conclusões apresentadas como uma descrição formal de uma entidade ou de uma situação comercial."

Deste modo, um trem em miniatura, um mapa da localização das estações de trem mais importantes ou a tabela de horário dos trens, são todos exemplos de diferentes tipos de modelos possíveis de um sistema ferroviário. O propósito deles é emular algum aspecto do sistema ferroviário real e fornecer informações úteis para lidar melhor com as interações em relação a este sistema. O trem em miniatura, por exemplo, pode ser usado para avaliar o desempenho de um trem sob certas condições físicas; o mapa das estações pode ajudar a planejar o itinerário mais eficiente para se chegar a uma determinada cidade; o horário dos trens pode ser usado para determinar o tempo exigido para uma determinada jornada. A partir dessa perspectiva, o valor fundamental de qualquer modelo é a sua utilidade.

Visão geral da modelagem na PNL

Modelagem do comportamento envolve a observação e o mapeamento dos processos bem-sucedidos que formam a base de algum tipo de desempenho excepcional. É um processo de tomar um evento complexo, ou uma série de eventos, e dividi-lo em pequenos segmentos suficientes para que o evento possa ser recapitulado de alguma maneira. O propósito da modelagem comportamental é criar um mapa pragmático ou ‘modelo’ deste comportamento que pode ser usado para reproduzir ou simular algum aspecto deste desempenho por qualquer um que esteja motivado a fazer isso. O objetivo do processo de modelagem do comportamento é identificar os elementos essenciais de pensamento e de ação exigidos para produzir a reação ou resultado desejado. Em oposição ao fornecimento de dados puramente correlatos ou estatísticos, o ‘modelo’ de um comportamento particular precisa fornecer uma descrição do que é necessário para realmente alcançar um resultado similar.

O campo da Programação NeuroLingüística (PNL) tem se desenvolvido além da modelagem dos processos do comportamento e dos pensamentos humanos. Os procedimentos da modelagem na PNL envolvem a descoberta de como o cérebro ("Neuro") está operando, a análise dos padrões de linguagem ("Lingüística") e a comunicação não verbal. Os resultados dessa análise são depois colocados em estratégias de passo a passo ou programas ("Programação") que podem ser usados para transferir essas habilidades para outras pessoas e áreas.

De fato, a PNL começou quando Richard Bandler e John Grinder modelaram os padrões de linguagem e de comportamento dos trabalhos de Fritz Perls (fundador da terapia Gestalt), Virginia Satir (fundadora da terapia de família e da terapia sistêmica) e Milton H. Erickson , M.D. (fundador da Sociedade Americana de Hipnose Clínica). As primeiras ‘técnicas’ da PNL se originaram dos padrões verbais e não verbais que Grinder e Bandler observaram no comportamento desses excepcionais terapeutas. A implicação do título do primeiro livro deles, A Estrutura da Magia (1975), era que o que parecia magia e inexplicável tinha, muitas vezes, uma estrutura mais profunda que, quando iluminada, podia ser entendida, comunicada e colocada em prática por outras pessoas afora os raros ‘magos’ excepcionais que tinham executado inicialmente a magia. A PNL é o processo pelo qual as peças relevantes do comportamento dessas pessoas foram descobertas e depois organizadas num modelo de trabalho.

A PNL desenvolveu técnicas e distinções para identificar e descrever os padrões verbais e não verbais do comportamento das pessoas – isto é, os aspectos essenciais do que a pessoa fala e o que ela faz. Os objetivos básicos da PNL são modelar capacidades especiais e excepcionais e ajudar para que essas capacidades se tornem transferíveis para outras pessoas. O propósito desse tipo de modelagem é colocar o que foi observado e descrito em ação numa maneira que seja produtiva e enriquecedora.

As ferramentas da modelagem da PNL nos permitem identificar padrões específicos e reproduzíveis na linguagem e no comportamento das pessoas que servem de exemplo. Enquanto a maior parte das análises da PNL é feita, na verdade, observando e ouvindo essas pessoas que servem de exemplo em ação, muita informação valiosa também pode ser reunida aos poucos dos registros escritos.

O objetivo da modelagem da PNL não é terminar com uma descrição ‘certa’ ou ‘errada’ do processo de pensamento de uma pessoa em particular, mas sim fazer um mapa instrumental que nos permite aplicar as estratégias que modelamos de alguma maneira útil. Um ‘mapa instrumental’ é um que nos permite agir mais eficazmente – a ‘precisão’ ou ‘veracidade’ do mapa é menos importante do que a sua ‘utilidade’. Deste modo, a aplicação instrumental das estratégias comportamentais ou cognitivas modeladas de um indivíduo particular ou um grupo de indivíduos envolve colocá-las em estruturas que nos permitem usá-las para algum propósito prático. Esse propósito pode ser similar ou diferente daquele para o qual o modelo foi usado inicialmente.

Por exemplo, algumas aplicações de modelagem comuns incluem:

  1. Compreender melhor alguma coisa desenvolvendo mais ‘meta-cognição’ sobre os processos que formam a sua base – a fim de sermos capazes de ensinarmos isso, por exemplo, ou de usá-lo como um tipo de "marca de referência."
  2. Repetir ou refinar um desempenho (uma situação esportiva ou gerencial) especificando os passos seguidos pelo executor experiente ou ocorridos durante exemplos muito favoráveis da atividade. Essa é a essência do movimento do ‘processo de reengenharia empresarial’ nas empresas.
  3. Alcançar um resultado específico (como uma soletração eficaz ou o tratamento de fobias ou alergias). Em vez de modelar um único indivíduo, isso é realizado, muitas vezes, desenvolvendo ‘técnicas’ baseadas na modelagem de diversos exemplos ou casos bem-sucedidos.
  4. Extrair e/ou formalizar um processo a fim de aplicá-lo num conteúdo ou contexto diferente. Por exemplo, uma estratégia eficaz para gerenciar uma equipe esportiva também pode ser aplicada para gerenciar um negócio, e vice versa. De certa maneira, o desenvolvimento do ‘método científico’ veio desse tipo de processo onde as estratégias de observação e análises foram desenvolvidas para uma área de estudo (como a física) também foram aplicadas em outras áreas (como a biologia).
  5. Tirar dedução de alguma coisa que está vagamente baseada no processo real do método. Um bom exemplo disso é a representação imaginosa de Sherlock Holmes realizada por Sir Arthur Conan Doyle que era baseada nos métodos de fazer diagnósticos do seu professor da escola de medicina Joseph Bell.

Estrutura profunda e estrutura de superfície

A PNL retira muitos dos seus princípios e distinções do campo da gramática transformacional (Chomsky 1957, 1965) como uma maneira de criar modelos do comportamento verbal das pessoas. Um dos princípios essenciais da gramática transformacional é que comportamentos, expressões e reações tangíveis são ‘estruturas de superfície’ que são o resultado de trazer as ‘estruturas mais profundas’ para a realidade.

Essa é outra maneira de se dizer que os modelos que nós fazemos do mundo a nossa volta com nossos cérebros e nossa linguagem não são o mundo em si, mas representações dele. Uma implicação importante dos princípios da gramática transformacional é que existem múltiplos níveis de estruturas, sucessivamente mais profundas na estrutura e organização dentro de qualquer sistema de codificação. Uma importante implicação disso, com relação à modelagem, é que pode ser necessário explorar vários níveis da estrutura profunda atrás de um desempenho particular, a fim de se produzir um modelo efetivo. Além disso, diferentes estruturas de superfície podem ser reflexos das estruturas profundas comuns. Para uma modelagem efetiva, é importante, muitas vezes, examinar múltiplos exemplos de estruturas de superfície para conhecer ou identificar melhor a estrutura mais profunda que a produz.

Uma outra maneira de pensar sobre a relação entre a estrutura profunda e a estrutura de superfície é a distinção entre "processo" e "produto". Produtos são expressões ao nível de superfície dos processos produtivos mais profundos e menos tangíveis que são a sua fonte. Assim, "estruturas profundas" são potenciais ocultos que se tornaram evidentes em estruturas de superfície concretas como resultado de um conjunto de transformações. Esse processo inclui tanto a destruição seletiva como a construção seletiva dos dados.

A esse respeito, um dos desafios fundamentais da modelagem vem do fato de que o movimento entre a estrutura profunda e a estrutura de superfície está sujeita ao processo de generalização, deleção e distorção. Isto é, alguma informação é necessariamente perdida ou distorcida na transformação da estrutura profunda para estrutura de superfície. Na linguagem, por exemplo, esses processos ocorrem durante a translação de estrutura profunda (como as imagens mentais, sons, sensações e outras representações sensoriais que estão armazenadas no nosso sistema nervoso) para estrutura de superfície (as palavras, sinais e símbolos que escolhemos para descrever ou representar a nossa experiência sensorial primária). Nenhuma descrição verbal é capaz de representar completa ou acuradamente a idéia que ela está tentando expressar.

Os aspectos da estrutura profunda que se tornaram evidentes, são aqueles para os quais suficientes ligações perdidas (deleções, generalizações, distorções) foram preenchidas para que o potencial oculto no nível da estrutura profunda seja capaz de completar a série de transformações necessárias para se tornarem evidentes como estrutura de superfície. Uma das metas do processo de modelagem é identificar o conjunto completo de transformações suficientes para que uma expressão apropriada e útil da estrutura profunda possa ser alcançada.

Capacidades de modelagem

O foco da maioria dos processos de modelagem da PNL é ao nível das capacidades. As capacidades conectam as crenças e os valores a comportamentos específicos. Sem o como, saber o que alguém deve fazer, e mesmo porque fazer isso, é basicamente ineficiente. Capacidades e habilidades fornecem os elos e a alavancagem para revelar a nossa identidade, valores e crenças como ações num ambiente particular.

A propósito, o fato de que os procedimentos de modelagem da PNL tendem a se focar nas capacidades não significa que eles considerem somente este nível de informação. Muitas vezes, a gestalt de crenças, valores, sentido do self e os comportamentos específicos são essenciais para produzir a capacidade desejada. A PNL assegura que, ao se focar nas capacidades desenvolvidas, serão produzidas as mais práticas e úteis combinações da "estrutura profunda" e da "estrutura de superfície".

É mais importante ter em mente que as capacidades são uma estrutura mais profunda do que tarefas ou procedimentos específicos. Procedimentos são tipicamente uma seqüência de ações ou passos que conduzem a realização de uma tarefa particular. Habilidades e capacidades, entretanto, são freqüentemente "não lineares" na sua aplicação. Uma capacidade ou habilidade particular (como a capacidade de pensar com criatividade ou de se comunicar efetivamente) pode servir como apoio para diferentes tipos de tarefas, situações e contextos. As capacidades precisam ser capazes de serem "acessadas randomicamente," já que o individuo precisa ser capaz de recorrer imediatamente a diferentes habilidades em diferentes momentos numa tarefa, situação ou contexto particular. Ao invés de uma seqüência linear de passos, as habilidades estão, desta maneira, organizadas em torno do T.O.T.S. – um laço de feedback entre a) metas b) a escolha de significados usados para executar essas metas e c) a evidência usada para avaliar o progresso com relação às metas.

De acordo com a PNL, a fim de modelar efetivamente uma habilidade ou um determinado desempenho, nós precisamos identificar cada um dos elementos chaves do T.O.T.S. relacionados a esta habilidade ou desempenho:

  1. As metas do executor.
  2. A evidência ou os procedimentos de comprovação usados pelo executor para determinar o progresso com relação às metas.
  3. O conjunto de escolhas usado pelo executor para alcançar a meta e os comportamentos específicos usados para implementar essas escolhas.
  4. A maneira que o executor reage se a meta não é atingida inicialmente.

Níveis de complexidade das habilidades e capacidades

Deve-se lembrar que as capacidades em si são de natureza e níveis de complexidade diferentes. Algumas habilidades e capacidades são, de fato, compostas de outras habilidades e capacidades. A capacidade de "escrever um livro" é composta pela capacidade relacionada com o vocabulário, gramática e soletração da língua em que se está escrevendo, bem como do conhecimento relacionado ao assunto do livro. Elas são freqüentemente referidas como "T.O.T.S. aninhadas," "sub-laços" ou "sub-habilidades" porque elas se relacionam com os menores segmentos fora dos quais foram formadas as habilidades mais sofisticadas ou complexas. A capacidade de "liderança," por exemplo, é composta de muitas sub-habilidades, como as que se referem à comunicação efetiva, ao estabelecimento de rapport, a solução de problemas, ao pensamento sistêmico, etc.

Desta maneira, o processo de modelagem em si pode ser dirigido para diferentes níveis de complexidade com relação as habilidades e capacidades particulares.

  1. Habilidades de comportamento simples envolveriam ações específicas, concretas, facilmente observáveis que ocorrem dentro de curtos períodos de tempo (de segundos a minutos). Exemplos de habilidades de comportamentos simples incluiriam: fazer um determinado movimento de dança, entrar num estado especial, fazer pontaria com um rifle, etc.
  2. Habilidades cognitivas simples seriam processos mentais específicos, facilmente identificáveis e analisáveis que ocorrem num curto período de tempo (de segundos a minutos). Exemplos de habilidades cognitivas simples seriam: recordar nomes, soletrar, adquirir um vocabulário simples, criar uma imagem mental, etc. Esses tipos de habilidades de pensamento produzem resultados comportamentais facilmente observáveis que podem ser avaliados e que produzem feedback imediato.
  3. Habilidades lingüísticas simples envolveriam o reconhecimento e o uso de palavras chaves, frases e perguntas específicas, tais como: fazer perguntas específicas, reconhecer e reagir a palavras chaves, rever ou ‘retornar’ a frases chaves, etc. De novo, o desempenho dessas habilidades é facilmente observável e avaliado.
  4. Habilidades de comportamento complexo (ou interativo) envolvem a construção e a coordenação de seqüências ou combinações de ações de comportamento simples. Capacidades como fazer jogos de mão (mágica), aprender uma arte marcial, executar uma jogada bem-sucedida num determinado esporte, fazer uma apresentação, fazer um papel numa peça ou num filme, etc., seriam exemplos das habilidades de comportamento complexo.
  5. Habilidades cognitivas complexas são aquelas que exigem uma síntese ou seqüência de outras habilidades de pensamento simples. Criar uma história, diagnosticar um problema, solucionar um problema de álgebra, compor uma canção, planejar um projeto de modelagem, etc., seriam exemplos de capacidades envolvendo habilidades cognitivas complexas.
  6. Habilidades lingüísticas complexas envolveriam o uso interativo da linguagem em situações (muitas vezes espontâneas) altamente dinâmicas. Capacidades como persuasão, negociação, ressignificação verbal, o uso do humor, contar histórias, fazer uma indução hipnótica, etc., seriam exemplos de capacidades envolvendo habilidades lingüísticas complexas.

Claramente, cada nível de habilidade necessita incluir e incorporar as capacidades, ou T.O.T.S., empregadas pelos níveis precedentes a ele. Desta maneira, tipicamente é mais desafiador e complicado modelar habilidades complexas do que as simples; e é mais fácil aprender a modelar começando com comportamentos e habilidades cognitivas simples antes de passar para tarefas mais complexas. Contudo, freqüentemente, as habilidades complexas podem ser "segmentadas para baixo" para um grupo ou seqüência de habilidades mais simples.

Metodologia da modelagem

Uma das partes centrais do processo de modelagem é a metodologia usada para coletar informações e identificar aspectos relevantes e padrões relativos ao T.O.T.S. da pessoa sendo modelada. Enquanto a forma padrão para coletar informações, como questionários e entrevistas, pode acessar algumas informações são, muitas vezes, insuficientes na identificação das operações inconscientes ou intuitivas usadas pelo especialista humano. Muitas vezes elas também assumem ou deletam informações importantes com relação ao contexto.

Além dos questionários e entrevistas, freqüentemente é útil e necessário, incorporar métodos mais ativos para coletar informação como encenações, simulações e observações da ‘vida real’ do especialista no contexto. Embora a metodologia de modelagem da PNL emprega entrevista e questionários, a forma primária da modelagem na PNL é feita comprometendo interativamente o indivíduo a ser modelado com múltiplos exemplos da habilidade ou desempenho que está sendo estudado. Isso fornece uma informação de "qualidade mais elevada," e cria a melhor chance de "capturar" os padrões mais práticos (da mesma maneira que ter um modelo vivo é geralmente muito mais desejável para um artista trabalhar do que uma descrição verbal).

Três perspectivas básicas em modelagem

Modelar muitas vezes exige que nós façamos uma descrição "dupla" ou "tripla" do processo ou do fenômeno que estamos tentando recriar. A PNL descreve três posições perceptivas fundamentais a partir das quais a informação pode ser coletada e interpretada: a primeira posição (associada na própria perspectiva de alguém), a segunda posição (percebendo a situação a partir do ponto de vista da outra pessoa) e a terceira posição (vendo a situação como um observador não envolvido). Todas as três perspectivas são essenciais para uma efetiva modelagem de comportamento.

Existe também uma quarta posição perceptiva, que envolve a percepção da situação a partir da perspectiva de todo o sistema, ou o "campo relacional" envolvido na situação.

Como a PNL pressupõe que "o mapa não é o território," que "cada um faz o seu próprio mapa individual de uma situação," e que não existe um único mapa "correto" de qualquer experiência ou evento, tomar perspectivas múltiplas é uma habilidade essencial para modelar efetivamente um desempenho ou atividade particular. Perceber uma situação ou experiência a partir de múltiplas perspectivas permite a pessoa obter insights e conhecimentos mais amplos com relação ao evento.

Modelar da ‘primeira posição’ envolveria nós mesmos testando algo e explorando a maneira que "nós" fazemos isso. Nós vemos, ouvimos e sentimos a partir da nossa própria perspectiva. Modelar da ‘segunda posição’ envolve se colocar ‘nos sapatos’ da outra pessoa que está sendo modelada, tentando pensar e agir tão possível quanto essa pessoa. Isso pode fornecer importantes intuições sobre aspectos significativos porém inconscientes dos pensamentos e ações da pessoa sendo modelada. Modelar da ‘terceira posição’ envolveria se afastar e observar, como uma testemunha não envolvida, a pessoa a ser modelada interagindo com as outras pessoas (inclusive conosco). Na terceira posição, nós suspendemos os nossos julgamentos pessoais e percebemos apenas o que os nossos sentidos percebem, como cientistas ao examinar objetivamente um determinado fenômeno através de um telescópio ou microscópio. ‘Quarta posição’ envolveria um tipo de síntese intuitiva de todas essas perspectivas, a fim de conseguir um sentido para todo o ‘gestalt.’

Modelagem implícita e explícita

O desempenho hábil pode ser descrito como uma função de duas dimensões fundamentais: consciência (conhecimento) e competência (ação de fazer). É possível saber ou entender alguma atividade, mas ser incapaz de fazer isso (incompetência consciente). Também é possível ser capaz de fazer bem uma atividade particular, mas não saber como se faz isso (competência inconsciente). O domínio de uma habilidade envolve tanto a capacidade de "fazer o que você sabe" como "saber o que você está fazendo."

Um dos maiores desafios em modelar especialistas vem do fato de que muitos comportamentos críticos e elementos psicológicos que lhes permitem distinguir-se são basicamente inconscientes e intuitivos para eles. Como resultado, eles são incapazes de fornecer uma descrição direta dos processos responsáveis por suas próprias capacidades excepcionais. De fato, muitos especialistas evitam, de propósito, pensar sobre o que estão fazendo e como estão fazendo, com medo que isso interfira com as suas intuições. Essa é outra razão porque é importante sermos capazes de modelar a partir de diferentes posições perceptivas.

Uma das metas de modelagem é extrair e identificar as competências inconscientes das pessoas e levá-las para a consciência a fim delas serem mais bem entendidas, otimizadas e transferidas. Por exemplo, a estratégia inconsciente de um indivíduo, ou T.O.T.S., para "saber que perguntas fazer," "surgir com sugestões criativas," ou "adaptar os aspectos não verbais do estilo de liderança de alguém," podem ser modeladas e depois transferidas como uma habilidade ou competência consciente.

Competências cognitivas e comportamentais podem ser modeladas tanto ‘implícita" como ‘explicitamente.’ Modelagem implícita envolve mover-se primeiro para a ‘segunda posição’ com relação a pessoa que está sendo modelada a fim de construir intuições pessoais sobre a experiência subjetiva deste individuo. Modelagem explícita envolve mover-se para a ‘terceira posição’ para descrever a estrutura explícita da modelagem da experiência da pessoa pois assim ela pode ser transferida para os outros.

Modelagem implícita é primariamente um processo indutivo no qual nós compreendemos e percebemos os padrões no mundo a nossa volta. Modelagem explícita é essencialmente um processo dedutivo no qual descrevemos e colocamos estas percepções em prática. Os dois processos são necessários para a modelagem efetiva. Sem a fase "implícita" não existe nenhuma base intuitiva efetiva da qual construir um modelo "explícito". John Grinder, como co-fundador da PNL, chamou atenção de que: "É impossível fazer a descrição da gramática de uma língua da qual não temos nenhuma intuição." Por outro lado, sem a fase "explícita," a informação que foi modelada não pode desenvolver técnicas ou ferramentas e transferida para os outros. A modelagem implícita em si mesma irá ajudar uma pessoa a desenvolver a competência pessoal e inconsciente com o comportamento desejado (é a maneira como as crianças aprendem tipicamente). Criar uma técnica, procedimento ou conjunto de habilidades que pode ser ensinado ou transferido para os outros além de nós, exige algum grau de modelagem explícita. Uma coisa é, por exemplo, aprender a soletrar bem, ou desenvolver um bom saque no tênis; outra coisa é ensinar uma outra pessoa como fazer o que você aprendeu.

A PNL, de fato, nasceu da união da modelagem implícita com a explícita. Richard Bandler modelou intuitivamente "implicitamente" as habilidades lingüísticas de Fritz Perls e Virginia Satir através de vídeos gravados e da experiência direta. Bandler era capaz de reproduzir muitas dos resultados terapêuticos de Perls e Satir fazendo perguntas e usando a linguagem de maneira similar a que eles faziam. Grinder, que era lingüista, observou Bandler trabalhando um dia, e ficou impressionado pela capacidade de Bandler influenciar os outros com o uso da sua linguagem. Grinder podia perceber que Bandler estava fazendo algo sistemático, mas era incapaz de definir explicitamente o que era. Bandler também era incapaz de descrever explicitamente ou explicar exatamente o que ele estava fazendo e como estava fazendo. Ele só sabia que tinha, de alguma maneira, "modelado" algo de Perls e Satir. Os dois homens estavam intrigados e curiosos para ter um conhecimento mais explícito dessas capacidades que Bandler tinha implicitamente modelado destes excepcionais terapeutas – um conhecimento que iria lhes permitir transferir isso como uma ‘competência consciente’ para outros. Nesse ponto Grinder fez uma proposta para Bandler: "Se você me ensinar a fazer o que você está fazendo, então eu lhe direi o que você está fazendo."

De certo modo, o convite de Grinder marca o início da PNL. As palavras de Grinder encapsularam a essência do processo de modelagem da PNL: "Se você me ensina a fazer o que você está fazendo (se você me ajuda a desenvolver a intuição implícita, ou a ‘competência inconsciente’, que você possui para que eu também possa alcançar resultados similares), "então eu lhe direi o que você está fazendo" (então eu posso fazer uma descrição explícita dos padrões e processos que nós dois estamos usando). Observe que Grinder não diz: "se você me permitir observar objetivamente e analisar estatisticamente o que você está fazendo, então eu lhe direi o que você está fazendo." Grinder disse: "Me ensine a fazer o que você está fazendo." A modelagem se origina das intuições práticas e instrumentais que vieram da "liderança com experiência."

Grinder e Bandler foram capazes de trabalhar juntos para criar o Metamodelo (1975) sintetizando (a) suas intuições compartilhadas sobre as capacidades verbais de Perls e Satir, (b) observações diretas (tanto ao vivo como em fitas gravadas) de Perls e Satir trabalhando, e (c) o conhecimento explícito de Grinder sobre lingüística (em particular, gramática transformacional).

Bandler e Grinder trabalharam em conjunto, mais tarde, para aplicar um processo similar para modelar alguns dos padrões da linguagem hipnótica de Milton H. Erickson; nessa época Grinder também participava na modelagem inicial "implícita" do comportamento de Erickson. Eles, e os outros desenvolvedores da PNL, usaram desde então esse processo de modelagem para criar inúmeras estratégias, técnicas e procedimentos em praticamente cada área da competência humana.

Referências:
Modeling with NLP; Dilts, R., 1998.
A Estrutura da Magia, Editora LTC

Este artigo está disponível no site de Robert Dilts sob o nome Modeling

Sociedade Brasileira de PNL
Actius, consultoria, Desenvolvimento e Liderança
INAp
PAHC
CDP - Leoclides Marcon
INEXH
Instituto de Thalentos
Sociedade Internacional de PNL by Claudio Lara
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO
Mundo das Metáforas
Metas e Objetivos
e-mail enviando comentário site do GOLFINHO
Obrigado!
Volte sempre.

volta à página onde você estava volta página inicial
Esta página é produzida e mantida pela Equipe do Golfinho Webdesign
Hospedado por: LOCAWEB

Google Facebook